Entrevista com Andrea Hiranaka da E-life

O Mídias Sociais Blog entrevistou Andréa Hiranaka. Ela é formada em Relações Públicas, pela ECA-USP e trabalha com pesquisa de mercado há 3 anos, atualmente na E-life. Ela sempre teve interesse em mídias sociais, mas começou a ingressar nesse mundo com o seu TCC. O tema foram as mídias sociais como ferramentas de relacionamento e pesquisa com os stakeholders. A abordagem foi focada no crescimento do acesso à internet no país e como os comunicadores, principalmente os que trabalham com Relações Públicas, que têm como ideal a comunicação de mão dupla.

Perguntamos sobre sua visão em relação a forma com que as empresas tratam as mídias sociais e também empregos na área. A entrevista segue abaixo, após, a apresentação. Hábitos de uso e comportamento dos internautas brasileiros em mídias sociais.

Pesquisa Feita pela E-life

Ernani Rocha:  Falando sobre utilizar Social Media como ferramenta de trabalho, sempre me ocorre uma dúvida. Quando os investidores/clientes/empresários irão tratar Social media de uma maneira mais “adulta”?

Andréa Hiranaka: Olha, acho que ainda todos nós estamos em aprendizado, não só as empresas, como as próprias agências. Claramente, alguns acumulam mais experiência, mas ainda os aprendizados se acumulam por tentativa e erro. Acho que o mais difícil é a mudança de olhar na comunicação, ainda existe medo de perder os controle das mensagens (apesar de eu pessoalmente achar que nunca houve controle).

ER:  Eu também acho que nunca houve controle.

AH: Pois é! O problema é que antes o que não era controlado, não era visível. Hoje ele fica disponível na web. As mídias sociais só serão utilizadas de verdade quando:

1. Os profissionais aprenderem a olhar a comunicação de outra forma
2. Se acumularem mais experiências positivas no mercado.

ER:  Sobre monitoramento em si. Você acha que em um futuro próximo toda grande empresa irar procurar saber o que está sendo falado nas redes sociais sobre suas marcas?

AH: Espero que sim! Acho que algumas categorias irão “chegar lá” antes que outras, mas de qualquer forma acho a monitoração interessante não só pra ver críticas e elogios, como a maioria faz hoje, mas também como fonte pra inteligência de mercado. Já vi alguns clientes nossos começarem um trabalho de investigação com os nossos dados, e com esse “preview” em mãos, passaram pra pesquisa de mercados tradicionais e desenvolveram a informação para o negócio em si. Espero que as empresas realmente pensem em monitoração como janela para o seu mercado e para o seu consumidor um dia.

ER:  É, eu também. Apesar de ser planner, gostei bastante de trabalhar com o outro lado na moeda, pois, fica claro é possível se adequar ao mercado quase que em tempo real.

AH: Exatamente! Acho que até ajuda MUITO o planejamento. O resultado fica mais real.

ER:  Isso. Aqui no blog nós falamos bastante sobre “empregabilidade”. Qual o perfil de alguém que quer trabalhar com monitoramento?

AH: Olha, principalmente pro trabalho de análise de dados, acho que é importante ter algum contato com pesquisa de mercado. Todos os analistas que trabalham comigo tem essa experiência. Até para que os dados sejam analisados da forma correta. E, claro, ter interesse em internet, mídias sociais, etc. E usá-los! Afinal, só quem usa entende como as mensagens funcionam, como elas se propagam, qual a importância do número de followers, de views, de amigos, por exemplo. Também tem muita gente fala que em mídias sociais é mais fácil de mensurar resultados, porque existem analytics, existem números e números. Mas qual número olhar? Como olhar? Coisas que só o uso e só entendendo os serviços faz entender.

ER:  Entendo. Você falou sobre o Google Analytics. Quais ferramentas de monitoramento você usa?

AH: Na verdade, na E.Life temos o E.Life Monitor, que é um software proprietário. Além dele, temos outras ferramentas, como o E.Life Tweetmeter, que faz a monitoração automática no Twitter, o E.Life Engine, que faz a busca por dados brutos, mas grande parte do meu trabalho é feito nas ferramentas internas.

ER:  Bacana. Já trabalhei em outra agência de Social Media, a Dialeto, e eles também tinham ferramentas internas.

AH: Sei, conheço, concorrente

ER: Já que você falou da E.Life gostaria de comentar sobre um assunto um pouco polêmico.

AH: Fale.

ER:  Vocês publicaram uma pesquisa onde falam que o Twitter é mais usado do que o Orkut no Brasil. Blogueiros, profissionais e usuários comuns ficaram divididas em relação a isso. Gostaria de te dar esse espaço para se defender

AH:  Na verdade, a nossa pesquisa fala que o Twitter é utilizado com mais freqüência do que o Orkut (até mesmo os gráficos apontados no blog da Exame mostram isso). O que é natural, porque faz parte da ferramenta. O Twitter requer uma “dedicação” maior que o Orkut. Na nossa pesquisa, o Orkut ainda está à frente em números de cadastrados: 89,6% dos nossos entrevistados fala que tem conta no Orkut contra 80,1% de cadastrados no Twitter. Já perguntando “Qual deles você mais utiliza?”, o Twitter passa à frente: 68,1% fala que utiliza mais o Twitter e 63,1% fala que utiliza mais o Orkut.

ER:  Bacana. Eu não tive contato com a pesquisa., porém, da maneira que você explicou parece bem simples de entender.Porque será que algumas pessoas tiveram dificuldade em “acreditar” nesses dados?

AH: De verdade, os dados foram mais ou menos o que eu esperava. Talvez pelos entrevistados serem mais jovens, mais de alta renda, etc, tenha causado um certo receio, mas outras pesquisas mostram que ainda o perfil do internauta brasileiro é esse. Recentemente foi publicada a PNAD (Pesquisa Nacional de Domicílios) do IBGE com os dados de 2008 e realmente o internauta ainda é mais jovem, ainda é mais concentrado no Sudeste e ainda tem alta renda, apesar de haver tido sim um aumento do acesso nas classes mais baixas.

ER:  Bacana. Você fez TCC sobre mídias sociais e várias pessoas entram em contato comigo, pois, estão fazendo TCC sobre isso também. A maioria deles pretendem entrar nesse mercado. Sabemos que as mídias sociais ainda é algo um pouco “underground”.  Você aconselha que estudantes tenham como foco de carreira nas mídias sociais?

AH: Eu acho que o interesse aumentou porque ainda é uma novidade, principalmente porque as universidades ainda não tratam ou tratam muito pouco disso no currículo dos cursos de Comunicação.<br>Na verdade eu acho que quando essa coisa toda amadurecer, vamos ter profissionais QUE TAMBÉM saibam lidar com mídias sociais. Planners que trabalhem com mídias sociais, criativos que trabalhem com mídias sociais, Relações Públicas que trabalhem com mídias sociais.

ER:  Entendo. Você acha que a exclusividade em mídias sociais vai acabar?

AH: Até teve uma brincadeira recente no Twitter dizendo que todo mundo hoje é “analista de mídias sociais”. Acho que ele vai ser (deve ser) uma especialidade, um conhecimento, e não uma carreira em si.

ER:  Já que você tocou no assunto, queria fazer mais uma perguntinha. Posso?

AH: Claro

ER:  Hoje em dia eu percebo (e VEJO) que contratação para mídias sociais muitas vezes tem parâmetro o fator “blogueiro Hype”. Você acha que uma pessoa só por ter um blog com uma visitação boa tem a competência necessária para trabalhar nessa área?

AH: Vejo mais problema em ser pessoas muito novas do que ser blogueiro. Muitos ainda nem tem experiência profissional (ou até experiência acadêmica) pra lidar com empresas, marcas, negócios. Por isso que eu acredito em profissionais que entendam de mídias sociais, é uma responsabilidade muito grande e que requer conhecimento profissional lidar com o mercado.

ER:  Concordo contigo Andréa. Andréa,gostaria de te agradecer pelo papo e acho que nossos leitores irão apreciar nossa conversa.

AH: Gostei bastante também!

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