Cognição social sites e aplicativos de redes sociais

Recentemente descobri o blog “Augmented Social Cognition”, de um grupo de pesquisa do PARC (Centro de Pesquisa de Palo Alto). O próprio blog do grupo define os conceitos principais:

  • Cognição: a habilidade de lembrar, pensar e refletir; a faculdade do conhecimento.
  • Cognição Social: a habilidade de um grupo de lembrar, pensar e refletir; a construção de estruturas de conhecimento por grupos. (não é o mesmo ramo da psicologia que estuda os processos cognitivos envolvidos na interação social, mas o inclui).
  • Cognição Social Aumentada: apoiado por sistemas, é o reforço da habilidade de um grupo de lembrar, pensar e refletir; a construção grupal de estruturas de conhecimento apoiada por sistemas.

Entre os trabalhos desenvolvidos já desenvolvidos por esse grupo estão um que analisou o conteúdo da Wikipedia, contando a distribuição das páginas em categorias e, ainda mais interessante, a ordem de quantidade de conflitos de edição (“People” em primeiro e no sentido horário, a segunda categoria “Society and social sciences” e assim por diante):

Vale a pena assinar o blog, tem muito conteúdo interessante.

Relacionado a essa questão, especialmente na parte da cognição social que tange a interação social, discutimos na última reunião do GITS o papel que aplicativos de coleta e disposição de dados das conexões nas mídias sociais podem exercer. Por exemplo, vejam este gráfico do TwitterCircles:

Esse é um dos milhares de aplicativos pra Twitter. Mostrando visualmente os perfis com quem um perfil em particular mais interagiu, levanta algumas questões. De um modo geral, tem se identificado que as pessoas não utilizam os sites de redes sociais para se comunicar anonimamente e/ou com estranhos. Na maioria dos casos (especialmente em sites como Orkut e Facebook) boa parte do uso se dá para reforço e manutenção de laços sociais existentes. É a turma da escola, os colegas de trabalho, os amigos da festa etc. A persistência e acessibilidade de dados relativos aos padrões de interações de minha rede social podem trazer informações que “aumentam” a minha cognição social em determinados aspectos.

Como no Twitter Circles acima, posso identificar numericamente quem são as pessoas com quem mais falo. Atitudes e comportamentos podem ser tomados a partir disso, tanto por mim, quanto por outras pessoas. Um “amigo próximo” que não apareça ali, por exemplo, poderia tomar aqueles dados como indicador de enfraquecimento do nosso laço social. Por outro lado, a observação daquelas duas dezenas de contatos mais frequentes poderia fazer com que eu percebesse padrões e avaliasse a mim próprio como mais caracterizado por elementos mais comuns.

Aplicativos como o Favotter, por exemplo, permitiriam potencialmente a reavaliação de contatos. Digamos que eu nunca interagi com fulano, com o qual também tenho aula. Ao perceber que ele favorita constantemente meus tweets, minha impressão e atenção em relação a ele pode mudar. As discussões sobre a relação entre interações sociais e a computação das informações das redes sociais podem ser muito frutíferas.

Deixe um comentário